segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Epifania de uma segunda

São Paulo é uma cidade estranha e caótica. Talvez a área de atuação profissional que eu escolhi não seja para mim. Talvez o mundo é que esteja mudando. Talvez esteja rolando no inconsciente coletivo que a vida não devia só ser sofrimento, nem só acumular riquezas.

São Paulo é uma cidade caótica onde 32 m² é chamado de apartamento e custa uma fortuna. Onde é que se ganha tanto dinheiro? E para que tanto trabalho, tanta produção de coisas que no final das contas acaba indo para o lixo? Existem toneladas de lixo boiando no mar.

Quem é que tem tanto tempo assim? Que gosta tanto de coisas duras que não dão prazer nenhum? Será que eu sou hedonista? Terminei de ler a coluna de Michel Laub sobre jornalismo cultural. Por que a Bravo! fechou? Como conciliar público e privado?

Cadê esse novo modelo de financiamento? Como conseguir nova receita? Cadê o gosto do vento no rosto? E a boa e velha liberdade? Eu quero sair de casa. Eu quero mudar de cidade. Eu viveria pelado no meio do mato. Desapeguei das redes sociais. Quero excluir meu Facebook. Sonho em escrever um livro.

Eu tenho medo de não conseguir me sustentar. Por que é que o futuro parece nunca chegar? Não encontro motivação para arrumar meu guarda-roupa. Preciso desarrumar para arrumar. Como jogar revistas no lixo? Eu estou ficando caótico. Tento me agarrar na rotina para manter a lucidez. Preciso urgente fazer exercícios.

Eu sairia de São Paulo.

domingo, 18 de agosto de 2013

Do Night Riders

As inimigas bem que tentaram me derrubar, mas não conseguiram. No meio do percurso, em cima do Minhocão, o pedal esquerdo da bike simplesmente caiu. Daí foi pegar ele rápido e parar no canteiro central pra rosqueá-lo novamente.

Como não fui o único que protagonizou esse incidente tirei essa da conta das invejosas. Mas preciso de uma chave inglesa anyway, pra prender o pedal com mais força agora. Em todo caso, completei a prova, apesar de ter desencanado bonito de pegar a medalha.

Seria mais uma tranqueira pra acumular, ocupar espaço e pegar pó. Tô suave disso aí. No mais, completei o percurso e tô bem satisfeito com tudo. A bike vinha no kit do Night Riders, uma pedalada noturna pelo centro de São Paulo que aconteceu ontem.

Fiz minha inscrição há uns dois meses e fui na sexta com a Teka retirar a bike dobrável. Tempo ruim e mal condicionamento ela acabou furando ontem e eu fui sozinho pro rolê. Encontrei o Rubão lá no Anhangabaú, de onde partimos. Antes eu fui pela ciclovia da Penha até o Tatuapé e antes ainda dei umas voltinhas aqui na rua de casa mesmo.

O passeio foi incrível, gostei bastante da bike. Vai servir para o que eu queria mesmo, dar umas pedaladas eventuais e levar pra Caraguá em férias, feriados e finais de semana aleatórios. Mas ela não é muito pró não. Não é lá muito veloz. Ou eu que não soube ajustar as marchas, sei lá.

Subir o Vale do Anhangabaú foi um pouquinho penoso para alguns. A subida da Faculdade de Direito do Largo São Francisco também não foi bolinho. Muitos desceram da bike e subiram a pé esses trechos. Mas o pior foi a subida para o Minhocão, que virou uma romaria das bikes.

Durante o percurso fomos afunilados algumas vezes, primeiro na rua São Bento. Havia algumas barracas instaladas por moradores de rua ali. Aliás, como a noite deixa evidente o grande número de pessoas em situação de rua. De dia parecem que são invisíveis. Se misturam ou se camuflam no meio da população, ou às vezes a gente que está tão acostumado a isso, a esse problema, que a gente já nem sente mais e convive.

Será que não tem mesmo como resolver isso? Dar condições melhores de vida, de preços, de custos, de oportunidades? Ser partidário da bike te coloca numa espécie de ideologia coletiva pelo uso do transporte público e integrado com a cidade, você discute acessibilidade, mas ali do lado da gente um monte de gente sem acesso algum, a nada. E ontem tava um puta frio ainda.

Primeira vez pedalando pelas ruas da cidade, o passeio deu uma boa ideia da guerra velada que rola em São Paulo (quiçá nos grandes centros urbanos) entre motoristas e ciclistas. Durante o trajeto alguns pontos cegos, de pouca segurança, como na Ipiranga com a São João ou na São João com a Duque de Caxias. Os motoristas na Ipiranga e na Duque incomodados e impacientes, buzinando, acelerando.

Sei lá. Merda não tem hora pra acontecer e também já vimos situações em que motoristas simplesmente avançaram pra cima de ciclistas nesta vida. Na Ana Cintra ali atrás da Folha, rolou um stress com pedestres que queriam atravessar a rua também. Mas o pior foi a chegada na praça da República - onde tivemos que pedalar do lado do trânsito fluindo - e ao chegar ali na  Ipiranga com a São Luís. Dos carros que estavam virando sem se importarem muito e sem a CET ou a Polícia Militar pra segurar o trânsito.

No mais pedalar foi ótimo. Empolguei. Me deu um novo gás. Vou procurar ficar por dentro de outros passeios do tipo. Também descobri que há uma espécie de confraria secreta da bike, no estilo que rola com motoboys também acontece quando você está com uma bicicleta. Algumas pessoas são simpáticas e conversam com você. Alguns ciclistas interagem e trocam dicas. E tinha uns boy gatos. Me apaixonei umas 3 vezes lá. Como diria a Teka, o amor está na bike.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ainda

Às vezes eu reclamo. Às vezes eu falo mal. Mas isso de sair meia noite do trabalho encurta a semana de tal maneira que quando você sai do serviço já é o dia seguinte.

Olhando assim em perspectiva. Essa semana que eu tenho coisas pra fazer na quinta, na sexta e no sábado bem deve demorar 300 dias pra passar. Hoje levantei e pensei que podia muito bem ser quarta. Ainda é terça-feira.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A próxima lição

O próximo passo é aprender a ser humilde. E, pra isso, reconhecer que falta pouco, mas ainda não sabemos tudo.

E com isso parar com a arrogância de achar que não precisa de algumas coisas ou pessoas e achar que não temos necessidade de tomar certas atitudes.

É domar o recalque. Tomar cuidado pra não alimentar inveja. E enfiar essas coisas bem no cu. E aprender a abaixar a cabeça às vezes. Ver que podemos aprender com o olhar do outro. Tentar separar alhos e bugalhos.

Mesmo que eles sejam folgados pra caralho e nos tratem mal, ainda produzem algo relevante, interessante. Que pode expandir este horizonte. 

É isso. Treinar a visão para ela não ficar limitada. Mas fazer aos poucos as coisas que dão prazer e cuidar para que elas não virem uma obrigação.

Às vezes, ter múltiplos interesses na vida é um grande problema. Pelo menos resulta numa grande pilha de livros e revistas para ler.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A grama do vizinho

Quando foi que abrimos mão de ter uma identidade? Quando foi que deixamos de ser quem somos e passamos a olhar mais o que os outros fazem?

Quem disse que temos que correr atrás de algo que outros têm? Cadê o diferencial, a diversidade?

Onde já se viu deixar de dar valor para o que se tem pra valorizar o que é dos outros?

Se comparar com o carinha que está lá do lado, mas tem outras condições não é saudável. É um tiro no pé.

Estilos, vidas, realidades, infra-estrutura, poder de investimento. Tudo diferente. Como se manter estimulado?

Qual é o foco afinal? Qual é o objetivo? Copiar e copiar e copiar? Por que não fazer as coisas de um jeito certo? Por que não definir metas, prioridades?

Por que você não se organiza?

Não é mais que estamos no caminho certo e por isso temos as mesmas coisas. É porque você tinha e eu fui lá e te imitei.

Não há mais espaço para a criatividade, não há mais espaço para a iniciativa. A inveja é algo muito feia. Que te consome. Já está te consumindo, aliás. Você está brochado e nem percebe. Acha que ninguém notou esse pau mole?

Mas nesse arfã de querer sempre ser igual você vai se estriprar e acabar falido. É tudo pra agradar a quem? Agrade-se. Foque. Assuma-se. Seja quem você é, quem você quer ser e quem dá pra você ser.

Valorize-se

Vá com calma. Quem foi que disse que a grama do vizinho tem que ser sempre mais verde? Talvez ainda seja tempo de cuidar do seu jardim.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Como me dói

Vocês não sabem como me dói a impotência. De ver todo esse sofrimento. Não ter o que fazer diante de todo esse desespero. Cresci ouvindo minha mãe falando que quer morrer. Que ia segunda-feira no advogado pra se separar. Que quer sumir, desaparecer. É muita falta de amor, próprio, de outro.

Por isso eu não tenho paciência e tento encarar as coisas por um viés prático. Veja bem. Eu posso até tentar entender. E servir de ombro pra você, mas eu não sou tão bom nisso. Eu acabo julgando. Mas não de dono da verdade, não me entenda mal, é que às vezes é muito mais fácil pra mim resolver os seus problemas do que os meus.

Sumir não resolve problemas. Dormir tão pouco. Sério. Problema pra mim é viver desse jeito que a gente vive. Na periferia, ganhando pouco, trabalhando muito, lidando com metrô e ônibus lotado, espremido, apertado. Por isso que eu queria era ganhar na mega-sena, pra não fazer nada da vida. Viveria de perna pro ar com vista pro mar.

Encher laje cansa. Cortar cana cansa. Se teve uma coisa que eu aprendi nessa vida é que quem quer, faz. E quem não quer fica falando. Venho tentando engolir minhas reclamações e mudar o direcionamento do olhar. Eu adoro fazer piada com o meu azar, mas tirando isso, no final das contas, minha vida não é tão ruim como eu gostaria que fosse. Não que seja tão boa como eu gostaria que fosse.

Mas é isso. Não adianta ficar reclamando que o emprego é ruim. Muda de emprego. Não é fácil, mas ninguém falou que seria. Veja bem. Não estamos falando de trocar de roupa. Estamos falando de trocar de vida. Difícil? Nada na vida vem sem esforço e dedicação. Pelo menos na minha vida é assim. Minha prima, a Adriana, está bem, casada, em Belém, com o cara que conheceu na Força Aérea.

Não foi sem sofrer, física e psicologicamente, que ela chegou onde chegou. É isso. A gente vive em tempos em que a gente é obrigado a dar certo, a ganhar bem, a conquistar coisas, a ser feliz. Tô começando a ver que dá pra questionar esses padrões. A gente não precisa de tanto assim. Hype não enche barriga.

Não dá pra viver de imagem. Não dá pra viver na bolha. Não dá mais pra se iludir. Mudar de emprego é difícil, então vamos pelo menos tentar olhar pra ele de outro jeito. Agradecer que estamos com a carteira assinada e tentar focar no que é bom. Nas horas livres, nas pequenas coisas.

Correr em busca de uma vida que não seja medíocre. Queridos. A vida já é medíocre. Tudo que eu mais quero nessa vida é sossego. Paz. Silêncio. 

Aprendi a fazer coisas sozinho também. A não ficar dependendo da vontade alheia pra fazer coisas que me interessam. Por isso eu sou desses, que sai sozinho, que é "egoísta". Outra coisa que eu cansei de ouvir da minha avó foi que "com medo não se vive". E se tem uma coisa que é difícil de enfrentar é o medo.

Minha vó não é tão corajosa assim como quer que eu seja. Não pega o carro pra fazer um trajeto que não conhece e é completamente avessa ao uso do GPS, por exemplo. Também não é esse poço de rebeldia que sempre pregou. A morte do vô deixou isso evidente de certa forma.

São as contradições do ser humano, afinal de contas. Nem todo mundo é médico, nem todo mundo é monstro. Talvez seja amor, talvez seja machismo mesmo, mas foi o acordo que eles fizeram. Ele responsável pelo sustento da casa e ela zelando pelo bem-estar, pelas atividades domésticas e paparicos.

Em casa a coisa é mais tensa. Ainda assim eu não tenho muito o que fazer. A não ser tentar me retirar de lá. Juro que me esforço pra não entrar em discussão. Bancar a casa não dá. Expulsar o pai não rola. Então resta o que já passou da hora de eu fazer. Me puxar, economizar e focar minhas ações pensando no aluguel que estou para pagar.

Num lugar que pelo menos tenha espaço pra eu guardar meus livros. E viver feliz essa minha vida medíocre.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Tem tanta coisa...

... que às vezes fica difícil de entender e saber como agir. Definir prioridades. É coisa demais pra fazer. Tempo de menos pra fazer tudo isso. Tem tanta coisa que aconteceu nesses últimos tempos e no fundo nem foram tantas coisas assim. Foram coisas pontuais que se acumularam e de repente postar, escrever, se expor perde o sentido.

Desde que o vô morreu eu quebrei o úmero. O osso do ombro. Foi uma fratura incompleta. Eu nem sabia que isso era possível. Daí toda a dor que eu estava sentindo desde a queda de patins. E foi um tombo bobo. Não foi como se eu tivesse sei lá, descido a mega rampa. Não. Eu cai na rua de casa.

E a fratura, que tá mais pra um trinco, mas não é um trinco porque não é uma fissura, não saiu no raio-X. Tive que fazer uma artro-ressonância magnética que bem doeu, devido a injeção do contraste e tudo o mais. Sofri também em um plantão nesse mês. Meio doente, com a resistência meio baixa.

Até terçol eu tive. Princípio de gripe. Talvez seja a falta de frutas, de dieta, de exercício. Perdi o controle sobre uma parte da minha vida. Concentro meus esforços agora pra tentar manter uma rotina minimamente prazerosa. Pelo menos isso tá fluindo.

Tenho lido bastante também. Já tem 3 ou 4 livros pra fazer post no blog com a Raíra. Tem alguns gibis, jornais e revistas que desopilei também. A pilha, claro, aumenta numa velocidade maior do que diminui, mas é a vida. Esse final de semana vou tentar fazer uma limpeza no armário.

E falar nisso andei numa fase descontrolado das finanças. Ando pobre ultimamente. No limite do endividamento. Tentando frear a onda consumista. Mas finanças é assuntos pra um próximo post. Terminei o desenho dos Vingadores. Tentei ver Veep, mas não achei graça. E comecei a ver The L Word, mas o começo tá meio parado.

Dia 05 de agosto começo a fisioterapia do ombro. Pra recuperar os movimentos e a elevação do braço. Não vejo a hora de ficar bem e poder andar de patins de novo. Talvez amanhã eu corte o cabelo.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Patins, meus caros, não é como bicicleta que você nunca esquece. Patins, meus caros, você super esquece. E toma uns tombos bonitos por conta disso.

Mas né, tamo aí na atividade e já dizia o filme do Batman, a gente cai pra aprender a levantar. Além disso a joelheira absorve impactos e a munhequeira também é útil.

Não fiz, no entanto, tudo que queria neste final de semana. No sentido de ver séries e filmes e ficar bundando e morrendo em casa. Porque hoje saí.

Fui com o Vi na casa do tio Edison e da tia Angela. A ideia era andarmos de bike. Mas devido a uma dor no ombro por conta de um tombo eu ~amarelei~ e fiquei só com a tia enquanto ela preparava a polenta para o almoço.

Sábado a noite ainda terminei de ver Vingadores, a primeira temporada do desenho, no caso. Hoje, depois de sairmos da casa do tio fui no cinema com a mãe. A ideia original era ir com a vó e a mãe, depois só a vó, mas como ela passou mal fui mais a mãe mesmo (depois de muito custo) ver "Minha Mãe é uma Peça".

Engraçado como minha mãe é super dona Hermínia. Saímos do cinema rachando de rir. Esperei ela comer no Habibs e voltamos pra casa. Fiz fondue de queijo e de chocolate. Lilian e Leticia vieram comer com a gente.

No final pra coroar uma mini-discussão da mãe com o pai. Nada demais, mas ela ta sensível ainda com a morte do vô então tudo junta.

E este foi meu final de semana. Pro próximo eu penso em descansar e se tiver melhor do ombro e da mão ralada patinar no Ibirapuera, dependendo como estiver o tempo também.

No meio tempo matar vários leões por dia porque essa semana dever ser longa e puxada.

É isso. Boa noite. Ou bom dia, no caso.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

As pautas andam juntas

Queria escrever um texto bom e que falasse de tudo sobre esse lance novo de todo mundo, ou pelo menos mais gente, ir às ruas.

O lance dos 20 centavos. De porque não é só por 20 centavos. É por tudo que está errado nesse país. É essa aprovação da cura gay. É o estatuto do nascituro. É o direito das prostitutas.

É a onda de estupros que estava rolando no Rio. É por não legalizarem a maconha. E é porque tá foda. É redundante falar da péssima qualidade dos transportes públicos.

Mano. É horrível pegar ônibus e metrô lotado. É desumano. E não é só isso. É uma falta de respeito. Aqui em Guarulhos, onde eu moro, os ônibus intermunicipais também aumentaram no dia 2 de junho.

Preciso deles pra chegar até o metrô e ir pro trabalho. Não costumo usar ônibus municipais em Guarulhos, por isso não sei quanto está o preço da passagem por aqui. Sei apenas que a EMTU foi cara de pau o suficiente de nem avisar para quanto exatamente as linhas iriam subir.


Na imprensa divulgaram um comunicado genérico que subiria de 7 a 12%. No ônibus fixaram o anúncio acima, que tá meio desfocado, mas dá pra perceber que não indica o valor.

E mais. Fala que a informação estaria na internet, no dia do aumento. É pra que isso? Calar a revolta? A frustração de pegar e entrar no ônibus ele estar mais caro e daí não ter outro jeito senão pagar o novo valor?

A linha que eu pego foi para R$ 3,60. Antes era R$ 3,35. E antes ainda R$ 2,95. Pelo menos dessa vez arredondaram pra facilitar o troco, risos.

Mas ir às ruas nesse momento é por todas as questões que estão aí. Abaixar a tarifa e melhorar o transporte. É por qualidade de vida.

Queria, de verdade, que isso tudo se traduzisse em resultados práticos. Que os governos agissem. Tirassem moradores de áreas de riscos. Que combatessem enchentes. E que parassem com essas alianças políticas sujas pra garantir espaço de TV.

Talvez por isso esse movimento seja apartidário. Meu caso, por exemplo. Sempre me identifiquei com as bandeiras petistas. Até me decepcionar com o Lula. Foi um puta governante, mas acho que ele podia ter feito um pouco mais pelas gays.

Assim como a Dilma poderia ter se posicionado mais nas questões dos direitos humanos ao invés de vetar o kit anti-homofobia, por exemplo.

E porque dá nojinho ver esses conluios. E talvez as pessoas não tenham muito estômago pra lidar com isso. Se bem que a gente aprende a lidar com gente escrota. Porque não é só Maluf e Renan que são podres. Tem um monte de gente aqui embaixo que é também.

O engraçado é que tem gente falando de que porque é sobre transporte a causa é coletiva e não direito de uma minoria. Queridos. Direitos de minorias são para todos.

Não preciso ser mulher pra combater o machismo. Não precisa fumar pra defender a legalização da maconha ou ser negro para lutar contra o racismo. A luta está no dia-a-dia. Não fazer piadas e não ser racista e/ou preconceituoso. Respeitar as pessoas. Não agredir. Enfim.

Aprendi a protestar indo pra Parada Gay e pra Caminhada Lésbica. E não só em SP. Estive em Paradas de outras cidades também. "É festa". "É Carnaval". "É pegação" dizem alguns. 

É tudo isso, e daí? Porque não é só isso. É o exercício da liberdade. E é também político. Cara. Leva seu cartaz pra Parada Gay e faz seu protesto sério. A Parada permite isso. Sempre vi várias pessoas fazendo isso.

Não tem essa de protesto mais ou menos efetivo. O que não surte muito resultado são essas cafonalhas de protesto genérico contra a corrupção que vão três caras de ultra-direita levantar cartaz contra o Lula no Masp. 

Por favor, né. Estamos falando de movimentos sociais organizando esses atos. E as pautas dos movimentos sociais no fundo andam juntas. São todas uma só.

domingo, 9 de junho de 2013

Quando o vô morre - parte II

Era pra ter sido um sábado qualquer. Eu enfrentaria, junto com a mágoa de um plantão as consequências de uma noite na gandaia.

Eu estava naquele passa mal típica da ressaca juntando forças pra encarar o dia e ajudar minha vó com a feira para depois ir trabalhar. Quando o celular tocou e era ela. Falando que o vô tinha passado mal no Tiquatira pra eu ir até lá encontrá-la.

Quando desci pra tentar pegar o taxi, nada. Foram mais duas ligações. Uma para falar que a chave de casa estava na vizinha. A outra pra falar que o vô tinha morrido. A vó Conceição estava tão desesperada que eu nem consegui acreditar. Ela mei que já tinha matado o vô no ano passado, quando ele ficou internado.

Fiquei esperando meu irmão chegar em casa para irmos até o hospital onde tivemos a confirmação. Não era desespero. Quando a vó chegou no Tiquatira, o vô já tinha morrido. Parada cardíaca. Infarto fulminante. 

Morreu fazendo caminhada que tanto gostava num lugar que gostava e de um jeito que queria, antes da minha vó, sem ter que ir pra hospital e "dar trabalho" pra família.

Antes de morrer ele fez tudo como fez nos outros dias. Levantou. Tomou café com a vó e foi andar na pista. Um dia antes Raíra e eu conversamos sobre o homem assassinado no Mc Donalds. Da importância de viver cada dia como se fosse o último.

Diz que momentos antes de cair para a frente do banco onde estava sentado ele disse que dessa vida a gente não leva nada.

Na sexta-feira, quando estava tirando as compras do mercado do carro da vó ele queria ajudar e eu não deixei. E ele falou que eu era chato. Sou mesmo e isso eu aprendi com ele. Se vocês me acham metódico e sistemático é porque não conheceram ele.

A última coisa que eu falei pra ele foi "tchau vozão, até amanhã". Mal sabia eu que não nos veríamos mais. :'( 

O amanhã às vezes não chega. E nós que às vezes fazemos tantos planos não temos controle sobre nada.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Olhe para Mim de Novo

Lindo o título. Poético. Sempre achei. Primeira coisa que me fez querer ver esse filme quando vi que ele estava presente numa das edições do Mix. Curioso Raíra ter se atentado para isso também quando falei pra ela que tava pensando em assisti-lo no sábado.

Fomos.

Antes. O de sempre. Feira com a vó. Tava/tô louco de vontade de ir num rodízio japonês. Iríamos almoçar na Liberdade, mas tinha muita comida. Comemos em casa e fomos lá só dar um passeio mesmo. Nós, mais a mãe. Foi a tarde toda andarilhando. Ainda comemos um tempurá que estava massudo pra caralho. Bem ruim. =/

Marquei com a Raíra às 18h na Consolação. Comemos um cupcake no Center 3 e descemos para o CineSesc. Quatro gilmas a sessão inteira. Promoção de lançamento ou semana da Parada vai saber. Ficamos falando sobre a vida. Muitos boys de saia no hall do cinema.

O filme é lindo e divertido. Valeu a espera e valeu ter ido. Sobre Silvio Lucio. Um homem transexual nordestino num road movie pelo nordeste. Lindo. Profundo, inteligente. Não faz proselitismo. Escancara o lado humano do personagem. Faz pensar. Identidade de gênero, orientação sexual. Tudo isso bem simples de entender. De verdade.

Antes exibem o curta "Vestido de Laerte". Que é uma espécie louca de docuficção em que o Laerte interpreta o Laerte em situações ambientadas em suas tirinhas em versão live action (??????). Isso além de ironizar a burocracia dos tratamentos dos processos transsexualizadores e de jogar algumas luzes sobre o tema e tudo isso em menos de 15 minutos.

Depois comer e taqueopariu. SP Burger Fest. Desque rolou essa galeria fiquei babando nos hamburgueres. Jesus meldels. Comeria todos um seguido do outro. Vai se foder. É sacanagem ter só duas semanas de um evento assim. Decidimos comer o Sophia Burguer lá no P.J. Clarke's, que eu não conhecia e que é uma hamburgueria/restaurante fina na Oscar Freire.

Achamos o preço do cardápio beeeeem Ok apesar de toda a pompa do lugar e eu nem estava com uma roupa assim chique. Demorou bem até conseguirmos uma mesa, mas ok. Tomamos um drink enquanto isso. Quer dizer. Eu tomei um drink. Fui de Negroni enquanto Raíra ficou no suquinho. Pink Lemonade. Sei nem falar o nome disso, só quando sentamos que a bonita me inventa de pedir Coca-Cola Zero risos.

O lanche é ótimo. Segundo hamburguer que rolou na semana. Na quinta Fernanda e eu fomos no Ramona pra comer outro lanche desse festival. Mas aí lá o hamburguer era de costelinha de porco e a gente tem nojinho. Daí pegamos um cheeseburguer normal da casa mesmo, bonito lindo delícia xuxuzinho.

E é isso.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Da Virada Cultural

Não é porque não vi que não aconteceu, mas também não é porque aconteceu que tenha sido exatamente como falaram. Arrastões. O povo aumenta acho. E na "mídia" surgem os especialistões de tudo. Preguiça de gente que sabe de tudo. Só sei que a minha virada foi tranquila. E se teve algo que aprendi neste ano foi a não moscar com o celular na rua.

Só sei que foi uma edição limpa. Juro que vi menos lixo na rua do que nos outros anos. Porque é. Eu que sou uma velha a fiar voltei a frequentar a Virada Cultural. Na edição passada eu queria ir, mas trabalhei. Na anterior devo ter visto nada. Em outra fui só num show. Nas primeiras eu fui, em algumas boicotei.

Mas nessa eu fiz muita questão de ir. Porque a programação estava boa. Porque meus amigos iriam. Enfim. Por muitos e muitos motivos. E foi lindo. Abrimos tudo com Raça Negra. Melhor show da Virada se pá. Entrou no top five de shows da vida. Aliás uma saudades infância e anos 90. Um beijo.

Partimos Gal, que foi lindo lindo lindo. Voltamos todo o caminho a pé. A princípio veríamos Sidney Magalhães Magal, mas atrasou.

Nessa hora devem ter começado os arrastões. Não vimos nada. Nem o show nem a violência. Estávamos no palco do Copan, vendo apresentação do grupo do Lufe, que foi bem legal. Diana e Mari foram pra casinha. A Mayara e a Nanda vazaram antes do show do Lufe. Raíra e eu esticamos um Black Dog delícia na Paulista e depois fomos para o Sesc Belenzinho ver/ouvir (sono, muito sono) Juca Zeca Baleiro, que foi bonito e fofo.

Daí sim. Casinha. Pra acordar cedo, lá pras 9h30/10h pra ver Criolo meio dia no palco Julio Prestes. Diana e Raíra gostam e conhecem. Conheci as músicas lá. Me surpreendi com Criolo. De verdade. Achei boas as músicas do boy e de ele usar vestido (túnica) no palco.

De lá, Copan novamente. Nada de Racionais. Fomos ver Marisa Orth, que além de atrasar um pouquinho tava com tempo de folga. Aproveitamos pra comer. Mari foi de feijão (ou seria arroz) tropeiro. Raíra e eu fomos de strogonoff da Dona Onça. Quinze pila cada prato. Facadinha. Mas valeu. Alías, saudades hamburguer de pato do Così. De sobremesa, brigadeiro para os quatro.

Marisa Orth foi incrível. Sou muito fã dessa mulher. O repertório conhecidíssimo (por mim) que sou a única pessoa que tem o CD dela. Cantei todas as músicas. Cada uma delas. Até Light My Fire. Bonita. Inteligente. Marisa fez piadas e alegrou a gente.

Depois, casinha. Descansar. Ver a final do campeonato paulista. Morrer pra acordar e viver no dia seguinte que era o que tinha afinal de contas. E foi isso.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Às vezes parece que o tempo é a nossa maior riqueza. Mais do que força de trabalho a gente vende tempo que poderíamos usar fazendo outras coisas como deitar no asfalto quente. Daí que dizem que tempo é dinheiro, porque é mesmo.

No final das contas, ao morrer, você fica sem ambos. E no final, também, se você não souber aproveitar um, o outro perde todo o sentido e vice-versa. E também você fica sem tudo que no fundo vale mesmo à pena.

Dizem que o tempo cura tudo. Acredito muito nisso. Esperar é uma virtude. Por isso é importante esquentar menos a cabeça. As coisas passam. E melhoram. E mudam. E às vezes aquilo que parecia tão ruim quando aconteceu na verdade foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Guardar mágoas e rancores e acumular frustrações não é nada legal. Mas às vezes é melhor deixar pra lá. Engolir sapos, não discutir, não desconcordar. Dizem que se a palavra de é de prata o silêncio é de ouro. Calar de repente faz todo um sentido.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Foi uma semana proveitosa. Consegui utilizar o tempo a meu favor e fazer diversas coisas.

De brincar com Gabriel a escrever posts e terminar de ver a quarta temporada de Glee a ler alguns gibis e cadernos antigos de jornais.

Claro que expectativa é diferente da realidade. Se eu achava que leria horrores e emendaria outra série ao final de Glee, tive que tirar meu cavalinho da chuva afinal de contas.

Não fez nem coceguinha na pilha. Mas já foi um começo. Algo. Agora tô num hiato que deve terminar só amanhã. Ou domingo ou segunda. Quando surgir um tempo livre primeiro. Pra decidir o que assistir e o que ler.

No mais essa semana foi bem longa também. Desde segunda-feira passada trabalhando non stop chego hoje com a sensação de que venci uma batalha. E a recompensa é a folga na quarta que vem se tudo der certo.

Amanhã e domingo Virada Cultural. Ver amigos. Tentar desopilar somehow. Acho que mereço. E é isso

".

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Roteirizada

Tem horas que a vida parece roteirizada. Como se tudo estivesse escrito já em algum lugar. E a impressão que dá é que os dias vão passando e formando um ciclo e tudo é nada se não uma eterna repetição. Como se não houvesse mais espaço para a novidade e para a inovação e tudo que a gente está vivendo é apenas o passado revisitado, remixado.

Tudo isso já aconteceu. O avanço da tecnologia, as transformações e os impactos por ela causadas, a vida em sociedade. Qual é a função do ser humano? Por que estamos aqui? Se eliminarmos deus e essas coisas que as pessoas gostam pra preencher o vazio inerente a cada um e colocarmos tudo num estado "natural" e primitivo, a gente está aqui apenas pra sobreviver.

E só? E ponto? A mim interessa menos a resposta. A pergunta é que é mais interessante dichavar. Porque o corpo é apenas carne. Mas não é somente carne. E não acredito em vida pós-morte, porque já é ruim o suficiente viver aqui.

Daí desconsideramos o marketing, o capitalismo, aquela busca louca, desenfreada e sem critérios por lucro. Num estado bruto precisamos de coisas básicas para existir. Coisas como teto, que não significa  propriedade privada mas alguma proteção contra eventos climáticos. Além de alimentos. Não consigo pensar em mais nada.

Como se o resto fosse apenas luxo, conforto, supérfluo. E como perdemos nosso tempo com o supérfluo. Gastando e juntando e nos apegando a coisas que ocupam espaço e juntam pó. E no fim poderiam ir pro lixo. E mais no fim ainda não precisava nem ter sido criado, porque criar essas coisas envolve gastos de energia, de recursoso naturais, de tempo, enfim. Inventamos necessidades para substituir carências.

Mas já estou começando a brisar. A questão aqui era o cotidiano. De como os dia vivem arrastados seguindo uma ordem estabelecida. Segunda, por exemplo é dia de Tela-Quente e Pondé. Na quarta tem jogo e Antônio Prata.

Antigamente a gente esperava a quinta que era um dia legal por ser pré-sexta. E porque tinha Contardo que a gente adorava, mas que a gente desistiu. Porque ele fala de filmes, peças e livros que, sabe quando a gente vai conseguir ver? Nunca, porque não encaixa nos horários dessa vida, dessa rotina.

E não que a gente leia Pondé. Paramos com isso. Não dá. E a vida tá bem melhor assim. E quando a gente lê a gente se prepara, vai com o espírito leve, preparado pra rir. Tem horas e momentos que a gente tem que fazer escolhas e parar de ficar se cobrando e parar de se sentir mal e culpado por não fazer o que teoricamente devia.

A gente tuita e não obtém resposta. Somos apenas mais um falando em praça pública sem ninguém nos dar ouvido. Conversa de surdos. Não tem havido interação. Não dissecamos assuntos. Comentamos a novela. E só. Daí os memes. Esses virais divertidos que rendem piada e viram ~polêmica.

Essa semana teve um curioso. O dos 100 conto. Achei o texto da menina bem escrito. Não concordo com ela e dou graças a deus de ser gay, viu. Não ter que me preocupar de pagar a conta. Porque não é como se seu fosse rica. Alguém surgiu na timeline com a velha piadinha. "Como ela é roteirista escrevendo mal desse
jeito".

Olha. Tem uns blogs "famosos" com textos bem mal escritos por aí desde sempre. E não é como se o crítico/piadista tivesse recebido o nobel da internet esses dias. Daí outra coisa que irrita e cansa mais que a rotina é a previsibilidade dos comentaristas de internet.

Sempre tem alguém pra discordar, pra falar mal, pra xingar, pra jogar um balde de água fria pra falar em ditadura gay. No sábado, por exemplo, veio a história de que a subprefeitura da Sé apagou um grafite dOsgemeos sei lá como se escreve.

Tuitei algo na linha "Haddad: novo homem pra novo tempo não combina com apagar grafite dOsgemeos". Jean Wyllys me retuitou e recebi milhares alguns RT. Um boy veio perguntar só d'osgemeos. Claro que não né babaca.

A questão não é só Osgemeos. A questão é maior. Eles são a ponta do iceberg. Porque são conceituados, porque são conhecidos, porque aparecem e se divulgam, devem ter um ou outro amigo jornalista que tá em uma ou outra redação por aí. Porque eles são pagos pra fazer isso em outros países e a cidade deles apaga a obra porque não entende o que isso quer dizer?

Xis. Esse boy veio querer discutir que parede tava aí pra ser pintada. Apagou não fica de choro, corre atrás e faz outro. Preguiça. Nem gastei. Tinha mais o que fazer. O fanjo todo é a descrença com a política. De que "promessas de campanha" não se concretizam nas pequenas coisas.

Legal nem sei se foi, porque não sei de verdade avaliar isso. Mas teve o lance da galera do existe amor em sp ter entrado pra secretaria de cultura. Parece novo, mas não sei se é bom. Não sei mesmo. Tem o meu post irônico engraçadinho falando que votei no Haddad porque ele é gato. Mas gente não. A gente quer uma cidade legal, que funcione, que abrace de verdade a diversidade. Em que eu não apanhe na rua por ser viado e que a administração petista não faça o mesmo que a administração Kassab porra.

Uma cidade que não apague o grafite dos gêmeos e nem do grafiteiro fulano de tal zé mané xis. "Ah, tem letra é considerado pichação, apagamos". Não porra. O que são letras em sua essência senão símbolos gráficos? Desenhos que representam sons. E quando é uma mensagem, uma frase, algo poético, estêncil?

Ah. Para.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma das prateleiras do meu armário despencou. Justamente a prateleira onde ficam alguns jornais, revistas e livros. Principalmente os da Sophie Kinsella, que são grandes e grossos, risos. Encarei isso como um sinal. Preciso urgente liberar espaço, abrir caminhos.

Mudei alguns livros de lugar. Quadrinhos de luxo/capa dura em geral. O Primeira Página, da Folha, que é bastante pesado. E troquei a disposição das pilhas depois que minha mãe e eu arrumamos a prateleira.

Daí tomei a decisão de dar uma pausa nos livros essa semana para desopilar alguns jornais, gibis e revistas antigos. Interessante que cada um deles tem um tempo diferente. O Segundo Caderno é diferente da Ilustrada que é diferente de uma Revista da TV mesmo aos domingos.

Curioso também as coisas que a gente perde porque não dá tempo de fazer tudo. Em novembro do ano passado, por exemplo, a Ilustríssima publicou um perfil/entrevista com o então ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto que estava prestes a se aposentar.

Lá ele fazia uma observação bastante interessante sobre a diferença entre atenção e concentração e sobre um estado contemplativo que seria uma mistura desses dois estado num esquema de o melhor de dois mundos. E ele falava sobre por exemplo as aves carnívoras não cantarem. Coruja, águia, harpia.

"É como se a natureza estivesse dizendo que para cantar tem que ser herbívoro", disse à época Ayres Britto, que é vegetariano. Achei de uma singeleza e sabedoria enorme, daquelas que a gente conquista de olhar e olhar pras pequenas coisas, porque são essas que valem a pena afinal de contas.

Ainda não virei vegetariano. E dificilmente vou virar. Mas que é algo pra se pensar na vida. Isso é.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Alegrias musicais

Então esses dias saiu lá o cd Coitadinha Bem Feito que o gato do Marcus Preto produziu com o DJ Zé Pedro e eu ouvi e gostei bastante.

São músicas da Angela Rô Rô interpretada por diversos cantores coisa e tal. Me lembrei de Compasso, um CD dela lançado em 2006/2007. Lembro de ter ouvido na época e gostado.

Não conhecia tanto Angela Rô Rô e entrevistei ela prA Capa na época. Rendeu um textinho bem mequetrefe pra revista pelo que me lembro. Aproveitando a pegada aproveitei pra baixar a discografia dela. Que tá bem difícil de achar nessas internets.

Coitadinha Bem Feito me lembrou um pouco Alexandre Nero também que a gente bem gosta.

E semana passada também ficou disponível pra download o CD da Clarice Falcão. 14 músicas. Boa parte a gente conhecia do youtube já. Só faltou aquela do Revelação. 

Diz que ela tá pra fazer show dia 25 aqui em São Paulo. Tomara que role e que ela cante essa.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

É maio. Não escrevo desde abril. É que tem horas que a vida dá dessas degringoladas. Tudo parece sair do eixo e tomar as rédeas é quase impossível.

Comer. Engordar. Não malhar. Estou imerso em "Barba Ensopada de Sangue". Bem que Diana falou que o protagonista era eu. "Só queria morar na praia e dou aulas de natação".

Tão compenatrado pela leitura que demorei 200 páginas para me dar conta que o protagonista não tem nome. Viajando.

O primeiro trimestre deste ano foi bem pesaroso. As coisas acalmaram agora. No segundo trimestre. Médio. Abril poderia ter acabado melhor. Maio poderia ter começado de outro jeito.

Parece que estou lidando com forças e coisas das quais não tenho controle. Inveja. Ciúmes. E algo surge do nada pra acabar com a alegria. Melar o meu esquema.

Difícil ficar feliz assim. Tem 70 reais na minha conta. É maio. Já estou planejando dívidas para junho.

sábado, 6 de abril de 2013

Cartilha: sobre gays e Vera Fischer

Achei que seria uma semana sussa.Mas não. Várias coisas acontecendo no universo. Terminei o domingo lendo "Seis Balas num Buraco Só", do João Silvério Trevisan.

Ele começa o livro relatando alguns casos de violências protagonizadas por homens e a partir daí fala sobre a crise do masculino. De como esse estado de violência é fruto de uma série de fatores introjetados e do quanto essa neurose e necessidade de autoafirmação por meio da brutalidade demonstra um medo do feminino, da castração em contraposição ao falocentrismo dominante na sociedade moderna.

Acordei na segunda com a notícia da turista que foi estuprada numa van no Rio de Janeiro. O mundo cão continua a girar. Daí teve a queda do ônibus no Rio de Janeiro que matou um tanto de gente e que parece que foi causada por uma briga. No dia seguinte teve Daniela Mercury.

Então vamos sexualizar as coisas. Pra deixar claro como a heterossexualidade é a norma vigente. Vamos apenas reescrever os títulos das notícias como um exercício. "Homem hétero discute com motorista hétero e ambos provocam acidente; 7 morrem". "Homens héteros estupram turista em van no Rio de Janeiro".

Que nojo. Sério. Direto eu fico pensando nisso. E já que homofobia foi um dos temas da semana, com texto no instagram do Alexandre Nero, com texto da Clara, com texto da Raíra vamos falar sobre isso. Lindo ver a mobilização de pessoas esclarecidas, de amigos em torno do assunto. Contra o Feliciano. E olha que ele não é o mal encarnado, mas acabou virando a personificação mais pop dessa coisa ruim toda que, veja bem, é inflingir sofrimento a outro ser humano.

Onde já se viu falar que negros são amaldiçoados? Isso é racismo. Não é liberdade de expressão coisa nenhuma. E daí ter que "ouvir" a mesma ladainha. "Como você explicaria pro seu filho pequeno se ele visse dois homens se beijando num restaurante". Ué meu povo. Explicando. "Olha. As pessoas são diferentes. Tem gente que gosta de azul e tem gente que gosta de amarelo e tem homem que gosta de mulher e tem homem que gosta de homem. É isso." Ponto.

Para dúvidas do tipo: "mas eu posso beijar meu amiguinho?" a melhor resposta é lançar a real. "Até pode, mas não agora, porque você não tem idade pra isso. Quando você for maior vai poder beijar quem você quiser". Isso, claro para pequenos.

Para os idiotas que falam asneiras como "gays querem que a gente enxergue o homossexualismo (sic) como a coisa mais natural e bela do mundo", é só lamentos. Primeiro que a homossexualidade é sim natural. Segundo, de ser bonita ou feia ela é tão bonita quanto a heterossexualidade. Ponto. A maldade, a beleza e a feiura tá no ponto de vista de cada um.

Tanto que um amasso hétero passa quase despercebido em lugares públicos, agora vai dois gays darem um selinho pra ver se não voa pau e pedra e ofensas pra todos os lados.

Mas né. Esse é o mundo em que vivemos e que queremos que melhore apesar de estar difícil porque as pessoas elas são idiotas. E isso é um problema. Porque as pessoas são o problema.

Vejam, por exemplo, a Vera Fischer. Há 10 anos ela posou na Playboy. Com 50 anos. Acho que talvez tenha sido a mulher mais velha a ter um ensaio publicado na revista. Hoje estão cobrando ela por estar "acima do peso". Meus sais. Ela é uma senhora. Tá com o corpo e a estrutura de uma senhora apesar de não aparentar.

Mas fato é que a partir de uma certa idade o metabolismo cai, né? O corpo não queima gordura com a mesma rapidez e há exercícios de maior impacto que arregaçam a pessoa. Não é como se ela fosse uma panicat e tivesse exibindo a bunda na praia toda hora.

Ela não tá mais na idade de ser cobrada por essas coisas. Aliás, ninguém devia ser cobrado por essas coisas em momento nenhum, mas isso por enquanto é outra história.